quarta-feira, 18 de abril de 2012

Guns N' Roses: DJ Ashba fala sobre sua infância sofrida

Traduzido por Rafael Tavares | Em 18/04/12 | Fonte: Bullyville.com



Em um post datado de 16 de abril no site www.bullyville.com, um site onde pessoas postam seus casos de bullying, abusos e experiências do gênero e falam como conseguiram seguir em frente na vida, como um grande grupo de auto-ajuda, o guitarrista D.J. Ashba (Guns N' Roses, SIXX A.M.) contou sobre os abusos que sofrera quando criança. Leia a tradução de seu post abaixo.

Meus anos de crescimento em uma casa amorosa, repleta de sonhos e esperanças, foram cortados em pedaços a partir do dia em que nasci. Tudo que consigo lembrar é ficar petrificado quando criança, não apenas para a minha segurança, mas para a de minha mãe também. Todo momento de todos os dias dependiam do humor de meu Pai. A maior parte do meu tempo era passada escondido atrás de meu armário, tendo convulsões como se de alguma forma eu dançasse ao som da violência vindo da sala ao lado.
Ao invés de um abraço e um beijo, meu despertar nas manhãs consistia no punho de meu Pai batendo contra a porta do armário, similar a Jack Nicholson em “O Iluminado”. A parte louca sobre tudo isso é que eu passei minha juventude tentando constantemente ganhar seu respeito. Eu cheguei a ir longe a ponto de colocá-lo em um pedestal, fazendo dele algum tipo de herói em minha mente não desenvolvida, apenas para tê-lo me batendo uma vez após outra. Eu não consigo contar os incontáveis dias que caminhava de volta da escola, morrendo de medo de entrar pela porta da frente de casa. O medo era tão forte que eu literalmente mijaria em minhas calças.


A verdadeira heroína era minha mãe, eu não posso lhes dizer o quão incrível ser humano ela é. Olhando para trás agora e percebendo que ela arriscou sua própria segurança para meu bem estar. Ela era a verdadeira heroína, colocando-se sem medo na linha de fogo, “indo em direção à granada” por assim dizer. Meu pai usava-me como moeda de troca contra ela simplesmente por saber que eu era seu mundo. Para ele, eu era seu pior erro. Ter meu pai fazendo tudo em seu poder para me tirar de casa, inclusive puxar-me por um braço e minha mãe tentando impedí-lo puxando-me pelo outro, é algo completamente distante de um passeio divertido na Disneylândia. Minha vida inteira desde então, eu vivi sendo fisicamente e mentalmente abusado. Eu vivi com problemas de abandono. Eu passei minha vida inteira sem derramar uma lágrima devido a uma queda acidental da escada em uma manhã de Natal. Quando eu tinha cerca de 3 anos, eu tropecei da escada e caí na sala onde estava meu pai sentado em frente à lareira e comecei a chorar.
Meias penduradas na lareira e luzes brilhantes na árvore de natal. Meu pai levantou-se do sofá e comandou firmemente que homens não choram. Ele disse “Você quer ser um bebê chorão, lhe darei um motivo para chorar.” enquanto ele me batia. Então, eu deveria ir para a escola e tentar esconder as marcas de suas mãos perfeitamente desenhadas em meu corpo. Depois de tudo isso, eu ainda ficaria sentado esperando na janela como um filhote batido, esperando que ele chegasse em casa todas as noites. Isto é, até a noite em que ele nunca voltou para casa novamente. Eu virei o chefe da casa, jovem demais para a vida de qualquer um. Eu cresci em uma pequena cidade no meio do nada chamada Fairbury sem TV em minha casa, então eu sou a prova viva que qualquer um pode sobreviver a qualquer coisa na vida e ainda alcançar seus sonhos. De alguma forma fui capaz de guardar todo meu ódio e usá-lo para minha motivação. Motivação para fazer o que for que eu tivesse de fazer para não tornar-me igual a meu pai. Se eu o odeio por tudo que fez conosco? Não, eu o perdoei, mas sempre viverei pelos seus erros e continuarei a me tornar uma pessoa melhor.